A despedida dos festivais de verão

16 - 09 - 2008

Chegamos ao NDSM-werf por volta das oito da noite. Enquanto fui buscar um chá e um café-com-leite, Nina puxou duas cadeiras para sentarmos em volta da fogueira. Estávamos à beira do Het IJ.

A brisa outonal nos levou para o outro lado do Noorderlicht, afastado do rio, sob o céu claro e a lua cheia. Sentamos nas cadeiras de praia do Pluk de nacht festival, em torno de outra fogueira.

Três garotas mantinham, literalmente, o fogo aceso. Nos unimos a elas. Mais tarde, um outro visitante do festival se juntou ao grupo das que buscavam calor. Ele trouxe consigo uma taça e uma garrafa de champanha. Comentou ter assistido outros filmes do festival naquele local.


Nina contou que um rápido temporal havia caído durante a exibição do filme de quinta-feira. O filme continuou a ser exibido e, enquanto isso, o público procurava abrigo. “Mas era um filme devagar, deu para continuar assistindo sem perder o fio da história”, explicou ela.

“Quinta-feira???”, indagou o homem que nos acompanhava. “Foi quando eu descobri que o festival existia”. Em seguida, levantou sua taça e brindou o Pluk de Nacht.

Este é o quinto ano de Pluk de Nacht. Nesse verão, além do Stenen Hoofd, a sede do evento, o festival rodou por outros locais ao ar livre de Amsterdã e de outras cidades holandesas.

O cenário
Mas esta era uma edição extra. E estávamos curtindo a última noite desse festival em 2008. As espreguiçadeiras que estavam dispostas no pequeno gramado, entre o estacionamento do antigo estaleiro e do Noorderlicht, tornavam o ambiente acolhedor. Do lado esquerdo havia também um contâiner vermelho, com cadeiras de praia e cobertores para acomodar quem fosse chegando.

Antes do filme principal começar, a telona exibia pequenos curtas em preto-e-branco ao som de, entre outros, Cinematic Orchestra. Um pequeno caminhãozinho carregava o projetor de filmes.

De tempos em tempos, um homem de meia idade, barba por fazer, cabelos castanhos levemente encaracolados, usando um macacão azul claro e uma camisa branca caminhava até a tela para verificar se a projeção estava correta. Em seguida, voltava para o caminhãozinho.

Oficialmente ainda é verão mas as gurias que se aqueciam na fogueira do nosso lado usavam inclusive gorrinhos. “Eles deviam fazer esse tipo de festival também no inverno!” empolgou-se uma das meninas.

A projeção começa. Como outros filmes do Pluk de Nacht, Bothersome man, do norueguês Jens Lien, também era nada convencional, como o trailer mostra:

O filme pára em uma das escassas cenas clichês. A palavra pause aparece na tela. O homem de macacão azul avisa que dentro de três minutos a exibição deve continuar.

Estava totalmente dentro da história. A pausa me trouxe a realidade. Percebo que há apenas algumas brasas em nossa fogueirinha.

Ensina-me a fazer fogueira?
- Eu ainda não estou totalmente integrada na cultura holandesa. Quem me ensina a fazer uma fogueira?, perguntei para as gurias.
- De onde você é?, perguntou uma delas.
- Do Brasil, respondi
- E lá vocês não fazem fogueiras?, perguntou
- Fazemos, mas usei a integração como desculpa para algo que eu não sei fazer!

As três riram e uma delas levantou-se e me ajudou a quebrar os galhos finos em pedaços menores e juntá-los à fogueira. “O problema é que eles não estão secos, por isso a dificuldade em mantê-los em chama”, disse.

Em seguida, agachou-se e assoprou por um tempo suficiente para que a madeira voltasse a queimar. Percebendo o movimento, o homem de macacão azul e jogou uma grande tora de madeira ressecada na nossa fogueira e o fogo pegou…

Mensagem subliminar
… e o filme continuou. A frieza do filme e o desejo de alguns dos atores, em sentir o ‘proibido’ cheiro de cacau, me fez pensar em preparar um chocolate quente assim que chegasse em casa.

O filme acabou, Nina encontrou dois conhecidos e juntos nos dirigimos ao Noorderlicht. Quando fui até o bar buscar as bebidas, ouvi alguém pedir chocolate quente. Gostei da idéia! Os meninos tomaram cerveja, Nina um chá e eu me despedi dos festivais de verão com um chocolate quente.

Entry Filed under: Amsterdã. Tags: , , , , .

1 Comment Add your own

  • 1. Bailandesa  |  17 - 09 - 2008 at 3:39 pm

    Coincidência.. no domingo também assisti um filme ao ar livre. A diferença é que não tinha fogueirinha. Logo, não consegui assitir o filme todo :(
    Fui pra casa, pedalando feito uma louca.

    Responder

Leave a Comment

Required

Required, hidden

Some HTML allowed:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Tags

alimentação amigos Amsterdã animal de estimação Aprender holandês artes plásticas bicicleta Brazilië capoeira cinema consumo cultura economia Estação Central experiência pessoal foto Hilversum história Holanda II guerra mundial Imigração livros meio ambiente Ministério holandês das Relações Exteriores mulher multicultural música notícias Oerol outono pop saudades saúde Sinterklaas sociedade teatro televisão Terschelling trabalho trem turismo twitter typisch Braziliaans Verhagen Tweetup verão

batateira no twitter

comentários recentes

Magda Valente em Amsterdã é como uma vila…
Magda Valente em a batateira
Amsterdã é uma vila … em Pão com tudo
Foto do dia – … em Na mesma, lucro ou prejuí…

Feito na Holanda

Hecho en Holanda

In het Nederlands

Made in The Netherlands

Tips about Brazil

Mais lidos

links mais clicados

Postado em:

Setembro 2008
S T Q Q S S D
« Ago   Dez »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

Arquivos

Quem?

Meta