Será que ela entendeu minha conversa?

cafesQuarta-feira, 10 horas da manhã. Estou sentada em um café no centro de Amsterdã. Tomo um café com leite, acompanhado de um croissant. Caderninho de anotações, lápis e telefone celular sob a pequena mesa redonda. Trabalho no meu projeto de conclusão de curso. Na mesa ao lado, duas senhoras conversam animadamente em holandês.

A única entrevista que fiz até agora estava incompleta, segundo a minha orientadora. Ligo para a entrevistada para marcar o próximo encontro. Ela é brasileira e, naturalmente, falo ao telefone em português. Depois do bate-papo telefônico, volto para as anotações.


Por mais indelicado que seja, ouço a conversa das senhoras da mesa ao lado. Uma delas estuda português e comenta com a outra sobre as diferenças entre o português do Brasil e de Portugal. Será que ela também estava me ouvindo e entendeu minha conversa? Achei melhor não perguntar.

Esse nome não me é estranho

Continuo no mesmo café. Almoço um pedaço de torta de maçã e tomo um capuccino.

As duas senhoras vão embora. Dois rapazes ocupam a mesa delas. Impossível não ouvir a conversa dos moços quando ouço o nome e a nacionalidade de alguém que conheço. “Será que estão falando do Alex?”, pensei.

Enquanto saboreava minha torta acompanhava disfarçadamente o papo dos meninos. Um deles disse onde Alex trabalhava. E essa foi a confirmação. De cabeça baixa, escrevendo no meu caderninho, segui ouvindo o que eles tinham para falar sobre o namorado de uma amiga.