Quando? Manhã de sábado chuvosa. Plano? ir ao Boerol, um festival de teatro, música, poesia etc que acontece numa fazenda próxima a cidade de Delft. Como? De OV-fiets a partir da estação de trem de Delft. Com quem? J. amiga que vive em Colônia e passa a semana em Amsterdã, mas gosta muito de passar um dia no meio da natureza.
Na minha opinião, esta série de reportagens é interessante por abordar assuntos como a prostituição e drogas com seriedade, por sair de Amsterdã e mostrar diversas cidades holandesas e o que há de mais avançado no que diz respeito à convivência/luta dos holandeses com as águas, além do porto de Roterdã, das bicicletas e dos pontos turísticos mais visitados.
As reportagens foram exibidas durante uma semana no Jornal da Record no final de agosto de 2010.
Pietra mora em Utrecht. Como ia passar o final de semana em Amsterdã, achou mais prático utilizar uma OV-fiets.
No sábado pela manhã, antes de sair de casa, ela dirigiu-se ao website da OV-fiets para ativar seu cartão de trem; dessa forma tornou-se sócia do serviço de aluguel de bicicletas acoplado a quase todas as estações de trem do país.
Ao desembarcar do trem, na estação central da capital holandesa, dirigiu-se à bicicletaria, pegou uma OV-fiets e dirigiu-se ao bicicleteiro, para que escaneasse o código de barras em seu cartão e pudesse pedalar pela cidade feita para ciclistas.
Ele já estava aguardando o farol mudar de cor antes de eu chegar no cruzamento. Boné na cabeça, mochila nas costas, olhou para mim e me cumprimentou.
‘De onde será que eu o conheço? Será que foi meu aluno de português?’, pensei. Cumprimentei-o e disse que não estava o reconhecendo.
- Nos conhecemos do tempo em que você não tinha máquina de lavar roupas, respondeu ele.
- Claro! É a primeira vez que te vejo de boné!
Não apenas o boné. Se o farol não estivesse fechado jamais o viria com trajes esportivos. Depois de um longo período, acabava de encontrar com o dono da tinturaria que a uns anos atrás frequentava semanalmente. Quando o via no estabelecimento dele, ele sempre estava engomadinho.
Nem sempre os ciclistas obedecem a todos os semáforos em Amsterdã. Nos cruzamentos mais movimentados, no entanto, a maioria o faz. E o que fazer enquanto se espera o farol abrir?
Poetas, ativistas ambientais ou polítcos, empresas, casas noturnas, entre outros, aproveitam os postes próximos aos sinais de trânsito para anunciarem aquilo que imaginam interessar àqueles que pedalam.
A prática é conhecida por wildplakken (literalmente: colar selvagem). Embora oficialmente proibido, há adesivos e flyers pregados em grande parte dos postes das maiores cidades holandesas.
Dia desses estava pedalando por Amsterdã quando me deparei com um pedaço da Kinkerstraat fechado. Muitos transeuntes observando. Duas meninas caídas no chão, bicicletas esparramadas pela rua, polícia as acudindo, aguardando a ambulância.
No dia seguinte, próximo à Leidseplein, vi quase a mesma cena. Dessa vez um menino havia sido jogado no asfalto, moto destroçada há alguns metros de distância, polícia isolando a área e chamando o socorro. Coincidência ou não, na mesma semana, vi um bonde atropelar um ciclista na Spuistraat.
No trânsito holandês, um motorista ou (moto) ciclista precisa sempre dar a preferência para o outro quando haaientanden (dentes de tubarão) estão pintados no asfalto:
Com os veículos do lado de fora do anel viário, a idéia é promover atividades que façam com que os amsterdameses se movimentem de maneira saudável, em uma cidade limpa.
Dentre as atividades programadas, um workshop de capoeira, oferecido pelo Mestre Marreta. O evento acontece das 14h00 às 16h00 na Hobbemakade, entre a Roelof Hartstraat e o posto de gasolina.
Os organizadores do ‘Friday night skate’ prepararam para este domingo o Sunday afternoon skate. Outros vão participar de caminhadas e passeios ciclisticos, além da pretensão de se quebrar o recorde do Guinness Book na categoria desenho à giz na rua. Até agora, o maior desenho à giz na rua era de 5.615 m2.
Veja aqui um spot da prefeitura de Amsterdã sobre o ‘Amsterdam autovrij’.
S. chega à aula de português atrasado. Conta o que aconteceu:
- Eu estava pedalando para cá e um guarda me parou porque passei no sinal fechado. Justifiquei que estava com pressa, que a aula de português começava às sete da noite. O policial começou a explicar o que eu já sei sobre regras de trânsito. E me deu uma multa de 50 euros! (=105 reais)
Depois da aula
Com um gesto, o policial pediu para que estacionasse minha bicicleta. Fui logo perguntando se ia levar uma multa. “A senhora vai receber uma notificação e instruções”, respondeu ele.
- A senhora é holandesa? – perguntou o jovem fardado de azul.
- Não, mas eu sei que cometi uma infração porque estou sem a luz dianteira – me antecipei.
- Ah, então não preciso explicar!
- Pois é, eu sei que estou errada! E o senhor viu que a luz traseira está funcionando?
O guarda deu a volta na bici e confirmou com os próprios olhos. Em seguida pediu minha identidade e começou a preencher meus dados na folhinha amarela.
comentários recentes