Antes de morar na Holanda jamais imaginaria que essas pessoas e situações poderiam fazer parte do meu cotidiano! Viver na Holanda é…

… ser casada com um holandês que surfa no Mar do Norte, mesmo quando neva
… trabalhar com colegas de mais de 30 nacionalidades diferentes
… assistir um filme sobre Evo Morales com um colega boliviano
… ter uma alemã como melhor amiga
… ter um ‘amigo-irmão’ nascido no Marrocos
… ter aulas de inglês com uma professora estadunidense
… ter aula de dança do Burkina Faso com um professor oriundo desse país africano
… ganhar sushi como presente de aniversário de uma colega japonesa do curso de holandês
… conhecer a cidade de Nijmegen tendo uma somali como anfitriã
… ter um cabeleireiro brasileiro que tem uma cantora pop holandesa entre suas clientes
… estudar com um bósnio casado com uma indonésia
… surpreender as pessoas dizendo ser brasileira quando, na verdade, imaginavam que eu fosse egípcia, iraniana, grega ou de qualquer outro país mediterrâneo por causa da minha aparência.
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No final de 2008 comemorava por aqui que havia conseguido realizar o meu sonho: trabalhar na minha profissão e em holandês.
Juntamente com o mestrado em “jornalismo num ambiente crossmidiático” tive a oportunidade de, durante o ano de 2009, ser redatora do programa Laat op 2 da Radio 2.
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Será que ela entendeu minha conversa?
Quarta-feira, 10 horas da manhã. Estou sentada em um café no centro de Amsterdã. Tomo um café com leite, acompanhado de um croissant. Caderninho de anotações, lápis e telefone celular sob a pequena mesa redonda. Trabalho no meu projeto de conclusão de curso. Na mesa ao lado, duas senhoras conversam animadamente em holandês.
A única entrevista que fiz até agora estava incompleta, segundo a minha orientadora. Ligo para a entrevistada para marcar o próximo encontro. Ela é brasileira e, naturalmente, falo ao telefone em português. Depois do bate-papo telefônico, volto para as anotações.
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Acompanhei Thijs rumo ao bar onde aconteceria a after party. Ele estuda e mora em Groningen, província mais ao norte da Holanda, o que significa que passou umas duas horas e meia no trem. Aproveitou para ir mais cedo, conhecer a capital política holandesa. Thijs pretendia voltar logo para casa por causa da viagem de trem.
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Os presentes queriam felicitar o anfitrião. Queriam dizer o quanto o admiram ou passaram a admirá-lo por estar no twitter.
“Eu nunca votei no senhor nem no seu partido (o democrata cristão). Mas desde que o sigo percebo que o senhor é boa gente”, confessou uma das convidadas.
Um outro, de um partido estudantil, quis saber detalhes do início da carreira política de Verhagen. Em seguida, twittou a resposta dele. José gostaria de uma foto com o ministro para mostrar aos seus alunos.
Solidariedade
A guria que bateu uma foto minha veio se apresentar. Reuniões de twitteiros é o tema do livro de Ikbendaf, que será lançado no fim desse ano. A fotógrafa contou diveros causos em qe o twitter foi útil para gente ‘como eu e você’.
Foi via twitter que encontrou uma das suas melhores amigas – e que mora a uma quadra da casa dela. Uma outra twitteira recuperou seu laptop roubado via twitter e muitos dos presentes nessa festa se conhecem de anteriores churrascos e pique-niques.
“Infelizmente esse tipo de história não é publicada nos jornais”, disse ela, desapontada. Slijterijmeisje se aproximou. “Foi-se o tempo da solidariedade no twitter”.
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Em outubro do ano passado a curiosidade (e um trabalho do mestrado) fez com que eu telefonasse para a assessoria de imprensa do ministério holandês de relações exteriores para perguntar quem twittava pelo ministro Maxime Verhagen. “A maioria dos tweets é dele”, respondeu um dos porta-vozes.

Verhagen é um dos poucos políticos holandeses que usa o twitter como estratégia de comunicação para com os seus eleitores e outros interessados no que ele anda fazendo. Muitos outros entram em contato com os cidadãos através das comunidades virtuais. A maioria usa essas ferramentas durante as eleições.
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Começo a perceber que tenho uma certa fluência no holandês. Não que fale 100% correto ou que eu não tenha sotaque. E a fluência depende muito de com quem em falo e em quais circunstâncias.
Num ambiente descontraído como no festival Over Het IJ consigo formar frases completas, as pessoas me entendem e nem sequer me perguntam de que país eu sou.
Este progresso se deve ao fato de eu poder abrir mais a boca em holandês. Tudo começou nos festivais de teatro de 2008, na condição de voluntária.
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Em seis de junho as obras do metrô em Amsterdã estavam abertas para visitação. Era possível ver as escavações dos buracos espalhados pelos nove 9,7 quilômetros que, segundo a previsão, devem unir a cidade de norte a sul a partir de 2017.
Tirando o fato de que a obra está estimada em 3,1 milhões de euros e de que diversos moradores se mudaram dos arredores de uma das estações porque os prédios deles afundaram alguns centímetros, quem é que se interessa em visitar uma estação de metrô inacabada?
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Entro no pet shop e cumprimento o balconista com um ‘goedemorgen’. Pego alguns pacotes de ração seca, algumas latas de ração úmida e me dirijo ao balcão:
- Mag ik een anti-vlooienmiddel?
- Bayer of Frontline?
- Frontline.
- Met drie of zes pippeten?
- Drie.
Ele pega uma embalagem do produto que está na prateleira, coloca junto com as demais mercadorias, dirige-se ao caixa e faz a soma. Ele diz quanto eu devo, eu pago e ele me faz uma pergunta em voz baixa, da qual eu só ouço a última palavra: elkaar.
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Ele já estava aguardando o farol mudar de cor antes de eu chegar no cruzamento. Boné na cabeça, mochila nas costas, olhou para mim e me cumprimentou.
‘De onde será que eu o conheço? Será que foi meu aluno de português?’, pensei. Cumprimentei-o e disse que não estava o reconhecendo.
- Nos conhecemos do tempo em que você não tinha máquina de lavar roupas, respondeu ele.
- Claro! É a primeira vez que te vejo de boné!
Não apenas o boné. Se o farol não estivesse fechado jamais o viria com trajes esportivos. Depois de um longo período, acabava de encontrar com o dono da tinturaria que a uns anos atrás frequentava semanalmente. Quando o via no estabelecimento dele, ele sempre estava engomadinho.
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