Quanto mais tempo moro nesse país, mais entendo a importância das construções.
O Afsluitdijk, por exemplo, que liga a província de Holanda do Norte com a de Frísia. Ele faz parte do caminho para a casa dos pais do namorado.
A primeira vez que por ali passei, o namorado ficou chateado porque estava nublado e eu não podia ver direito a imensidão de água que nos cercava.
Na vez seguinte, o tempo estava melhor. Olhei. Avistei o horizonte. De um lado, água. Do outro, mais água!
Me perguntei o que tornava aquele dique, de 32 quilômetros, especial. Só o fato de uma estrada ter sido construída em cima dele? A ciclovia também não me causou espanto. Afinal, holandês vai para todos os lados de bicicleta.
O que tem demais? Os holandeses são especialistas em barrar o mar, drenar a água e conquistar mais terra. Utilizar essa tecnologia para também construir uma estrada começou a fazer mais sentido para mim.
Na penúltima vez que passamos por lá, pedi para pararmos no monumento que fica no meio do dique. Dessa vez estávamos voltando de Schiermonnikoog, a ilha mais ao norte da Holanda – e pouco mais longe do que nosso destino habitual.
Atravessamos a ponte, descemos a escada e entramos no café. Parece que o tempo parou por ali. Minha memória visual não é muito boa, mas me lembro de artigos de jornal amarelados, que narravam a construção do dique.
Subimos no mirante e dali vê se a grandiosidade da obra, que ficou pronta há 75 anos, em 28 de maio de 1932. Mas o que mais me chamou a atenção foi esse monumento (foto), para lembrar os responsáveis pela execução dos planos do engenheiro Cornelis Lely.
Planos que, agora, precisam ser readaptados. Afinal, o nível do mar anda subindo. Li, nesse artigo, que as obras vão começar em breve, para torná-lo capaz de resistir por outros 75 anos…
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