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Sinais de fumaça

21 - 02 - 2007

Quando morava no Brasil, nunca tive a oportunidade (ou a curiosidade) de me aprofundar na cultura dos povos indígenas que vivem e viviam no Brasil muito antes de os portugueses, espanhóis, holandeses ou ingleses invadirem o continente.

rooksignalen.jpegIronicamente, acabei de ler meu primeiro livro em holandês. Ineke Holtwijk, uma jornalista que foi correspondente na América Latina para o Volkskrant (o jornal do povo, de Amsterdã) por cerca de 15 anos, tendo como base a cidade do Rio de Janeiro, é a autora de Rooksignalen (sinais de fumaça).

Ineke inicia o livro-reportagem de maneira despretensiosa. Ela conta que viu uma fotografia do primeiro contato com um indígena em O Estado de São Paulo.

Por intermédio de um conhecido, Ineke entra em contato com um sertanista da Funai e junto com ele viaja de Vilhena (Rondônia) para algumas reservas indígenas do Estado. Lá vivem dois povos recém contatados: um pequeno grupo de Kanoê e outro de Akuntsu.

Em Rooksignalen ela narra desde o primeiro contato dos sertanistas com estes povos até o momento atual, 10 anos depois. Estão registradas no livro as diversas visitas que ela fez à região e viu com os próprios olhos a transformação na vida destes moradores tradicionais do que chamamos de Brasil a partir do contato com o mundo dito civilizado. Posso adiantar que o final não é dos mais felizes.

Ineke é bastante conseqüente na tarefa de relatar o que viu e pesquisou. Sinto até vergonha de dizer, mas foi através de um livro de uma holandesa (e escrito em holandês) que descobri porquê tantas ruas levam o nome de Marechal Rondon no Brasil e não por acaso, o Estado tem o nome de Rondônia. Também desfiz um pouco do meu preconceito inexplicável contra a Funai – os caras que trabalham com os indígenas isolados que são reportados em Rooksignalen são bons mesmos.

O jeito como ela descreveu os indígenas, com tanto respeito e compreensão, diminuiu a minha distância com esta realidade cruel. Para aproximar-me ainda mais, passei um final de semana ouvindo a série de 10 programas, de meia hora cada, que dois colegas de trabalho fizeram e nomearam de Vozes Indígenas no Brasil.

Uma sinopse do livro em inglês. Agora vou até tentar ler Darcy Ribeiro …

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  1. 22 - 02 - 2007 às 12:43 am

    Fantástico! Ótimo texto esse Dani, boas sugestões e considerações. Ouvirei os podcasts e também vou ver se consigo o livro, num futuro distante =)
    :***
    (e a areia chegou direitinho, muito obrigado! :D)

  2. 26 - 02 - 2007 às 10:48 am

    Dei uma olhada rapidinha no site que vc indicou e mais tarde lerei com tranqüilidade. Muito interessante!
    A Railda ainda está por aí?
    Me lembo que vc disse que ela gostaria de voltar pro Brasil, ou me engano?
    Baci!

  3. 03 - 03 - 2007 às 9:47 pm

    Então Eli, a Railda voltou pro Brasil, mas agora em março ela vem pra cá a trabalho…

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