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Florzinhas, borboletas & solidariedade

25 - 02 - 2007

Uma mochila nas costas, outra na frente e um berimbau na mão esquerda. Montei na bicicleta rumo ao treino de capoeira, uns 20 minutos pedalando.

Estava toda orgulhosa de estar carregada. Parecia até uma daquelas holandesas charmosas que levam um cesto com compras na frente, uma bolsa no ombro, seguram a sombrinha (chove tanto por aqui!) e se o telefone tocar, são capazes de atender sem ter de parar a bicicleta.

bicicleta.jpgJá estava muito perto do meu destino quando percebi que o zíper da bolsa de trás estava se abrindo. Quando parei no farol seguinte, o zíper se abriu completamente. O pandeiro e tamborim caíram com estrondo nada carnavalesco.

Duas mulheres, que estavam conversando na calçada ao lado me ajudaram. Colocaram os instrumentos de volta na mochila e fecharam-na. Agradeci-as, esperei o farol ficar verde e segui meu caminho.


(…)

Quando o treino acabou, passei numa Natuurwinkel. Parece que nessas lojas de produtos orgânicos, naturais etc, tudo é “ecologicamente” correto. Como minha mochila estava cheia, comprei uma sacola (também de papel, claro) para carregar as compras.

Montei na bici, mochila nas costas, sacola na mão esquerda, e pedalei, de volta para casa. Aquele mesmo orgulho de “eu também posso” voltou à minha cabeça. Mas ele passou rapidinho. Foi só começa a garoar. Tal pensamento deu lugar à grande dúvida de: “o que fazer se a chuva engrossar quando se tem uma sacola de papel nas mãos?”

Já havia pedalado mais da metade do caminho quando o previsto aconteceu. O farol estava fechado. A sacola esparramou-se e chamou a atenção de diversos ciclistas. Tomates rolando na ciclovia. Uma ciclista, que estava atrás de mim, parou para me ajudar a recolher o meu jantar. O vidro, com feijão cozido, continuava intacto. Um homem, que esperava o bonde no ponto ao lado também ajudou. A revista Vrij Nederland toda molhada. Começo a “socar” tudo dentro da minha mochila já lotada. O cara que esperava o bonde voltou, desta vez com uma sacola plástica: “não é muito resistente, mas acho que pode te ajudar”, disse ele, todo prestativo.

Finalmente tornei a pedalar, não sem antes acenar para moço.

Como explicar a solidariedade deste sábado chuvoso? Será que é resultado dos adesivos de florzinhas e borboletas que colei na minha bici esta semana?

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  1. 25 - 02 - 2007 às 10:47 pm

    “florzinhas, borboletas, solidariedade e uma garota muito espirituosa!” O que vale é ter coragem de tentar, não importa o que pode acontecer no percurso ( hehehehehe, me veio à mente: pimenta nos olhos dos outros é refresco, mas deixa pr lá…). Mas, que epopéia Dani! bjinhosss

  2. 26 - 02 - 2007 às 5:57 am

    hahahah caramba! Que confusão! Ainda bem que deu tudo certo no final, né? Eu e minha motinho passamos por umas boas de vez em quando, também, eheheheh 😀

    :****!

  3. 26 - 02 - 2007 às 11:00 am

    Oi, Dan!
    Quer dizer que as aulas de capoeira continuam ‘firme e forte’? Legal!
    Aí chove tanto, aqui (na minha região) nada de água …
    Fiquei lendo e te imaginando em todas as situações. 🙂
    Eu, além de morrer de vergonha, teria esbravejado contra a chuva!
    Mas que bom que todos foram solidários com vc!
    Gostaria imensamente que aqui fosse facilitado pra ciclistas tbém.
    Bom, vejo muitos pelas ruas, inclusive senhoras, porém não vejo nenhuma segurança para eles. Sendo assim, continuo a me locomover com meus dois pés queridos ou de bus, pelo menos até tomar coragem (se tomar) pra aprender a dirigir.
    Baci baci baci!

  4. 26 - 02 - 2007 às 11:03 am

    Esqueci de dizer: amo florzinhas e borboletas; sua bici deve ser um charme! 🙂 E amo joaninha (coccinella)! De vez em quando aparecem umas aqui em casa. Outro dia Giuli quase pisou numa, mas a salvei a tempo!
    E por aí, tbém aparecem?

  5. 03 - 03 - 2007 às 9:46 pm

    Pois é, Eli, a capoeira continua firme e forte! A partir deste mês começo a treinar duas vezes por semana. Não me lembro de ter visto joaninha por aqui, mas acho que elas existem… a única joaninha que eu conheço é uma menina que faz capoeira comigo e que ganhou este apelido do nosso mestre… e ela parece mesmo uma joaninha…

  1. 06 - 03 - 2007 às 11:19 pm
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