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O dia em que imigrei

04 - 05 - 2007

Há três anos vivo na Holanda. O mais incrível é que não consigo lembrar-me exatamente em que dia cheguei aqui. Procurei no diário daquela época. No dia dois de maio de dois mil e quatro escrevi que naquela noite eu viajaria e veria meu amado novamente. E também que seria a última noite dormindo na casa dos meus pais antes de me mudar. Sei que viajei durante a noite, mas será que a emoção não me permitiu ser clara? Cadê minha objetividade obsessiva?

Snarf baqueadoA próxima historinha no meu diário data de seis de maio. Mais uma vez, sem nenhuma pista concreta da data precisa que desembarquei no Schiphol. Não sei ao certo a quais datas me refiro quando escrevi que Snarf (foto ao lado) sofreu, por dois dias, o efeito das gotinhas de tranqüilizante para que ele relaxasse por algumas das pelo menos doze horas de viagem e check in/out.

Me lembro que o gato não apareceu na esteira de bagagem (felizmente). Mas só o encontrei graças aos miadinhos deseperados e a um amontoado de crianças em volta dele, cheias de curiosidade. Ele estava dentro da caixinha de viagem, atrás de um balcão, sem a companhia de outros animais ou funcionários do aeroporto. Não precisei apresentar nenhum papel para tê-lo novamente ao meu lado e achei estranho: “alguém poderia tê-lo roubado”, pensei.

Batateira e Snarf chegam em SchipholPouco me lembro desdes dias turbulentos de quando a gente imigra. Tenho apenas uma vaga lembrança de ter visto, na televisão, a Rainha e o primeiro ministro, juntamente com uma imensidão de gente, guardando dois minutos de silêncio, às oito da noite, em memória às vítimas da segunda guerra mundial. Lembro que meus olhos ficaram molhados. Achei bonito. Meio século depois, as atrocidades da guerra ainda estavam frescas na mente daquele povo todo na Dam. Esses dois minutos de silêncio são feitos, anualmente, em quatro de maio. Pode ser que tenha chegado na Holanda nessa tarde.

No dia seguinte, também lembro que fomos até o rio Amstel, assistir ao concerto da Libertação. Os músicos da orquestra tocavam dentro de um barco ou de um palco montado na água, não me lembro exatamente. As ruas em torno do rio – que dá o nome à cidade – , bem como os barcos em volta da orquestra, apinhados de gente. Depois do concerto, lembro de termos caminhado em silêncio até em casa – naquela época morávamos bem pertinho do Amstel. Em 5 de maio de 1945, a Alemanha e o Japão deixaram os Países Baixos em paz. O cinco de maio será comemorado no Amstel da mesma forma amanhã (e também na Museumplein, além dos diversos festivais de música pop no país inteiro).

Estas datas históricas me ajudam a lembrar da minha pequena e curta existência na Holanda, embora nem a Rainha nem o primeiro ministro saibam que dia eu cheguei aqui. Quem sabe, com certeza, é minha mãe, que talvez lembre-se até os minutos exatos que duraram nossa despedida no aeroporto, em Guarulhos.

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  1. 05 - 05 - 2007 às 8:46 pm

    oi!
    queria muito conversar com vc, pra pegar umas dicas sobre uns livros pra aprender holandês.. estou louca pra aprender mas não tenho indicação alguma sobre os livros…
    se puder me adicionar no msn ou só me enviar um email resposta, agradeço!
    Adorei ler a Holanda através de vc
    .
    kusjes

  2. 23 - 03 - 2008 às 7:51 pm

    puxa! então vc tava mesmo fresquinha aí qdo estivemos em a’dam com o vy-dan, ysio na barriga, rumo ao brasil…

  3. Érica
    14 - 07 - 2008 às 9:20 pm

    OI!!!
    Há mais ou menos seis meses acompanho o seu blog semanalmente e de tanto ler, às vezes tenho a impressão que te conheço. Queria agradecer por tudo antes de qualquer coisa e dizer que essas divertidíssimas leituras me passaram preciosas informações, que certamente me lembrarei de todas elas quando estiver ai na Holanda… Agora que está chegando a minha vez de imigrar, dúvidas e mais dúvidas borbulham em minha mente, mas para tudo dá-se um jeito. Eu só queria lhe perguntar umas coisinhas. Estou levando meu gato e ví que vc levou o Snarf também, sendo que as minhas perguntas não podem ser feitas a embaixada por exemplo. Você levou ele contigo, ou ele ficou no compartimento de cargas? Ele foi sedado, se recuperou do trauma? Nem imagino como que o meu bichano ficaria 14 horas dentro de uma caixa, nos sites das companhias aéreas falam para não sedar… Qualquer coisa que você possa me falar sobre o assunto me ajudaria muito.
    Tot ziens.

  4. 15 - 07 - 2008 às 10:20 am

    Oi Érica!

    Fico lisonjeada com o elogio e agradeço sinceramente.

    Com relação ao Snarf, na época (há quatro anos), cada empresa aérea tinha suas normas. Pela KLM, ir no compartimento de cargas ou comigo dependia de quantos quilos ele pesava.

    A veterinária receitou um tranqüilizante que garantia ao menos seis horas de sono. Dei as gotinhas assim que cheguei ao aeroporto e o despachei como se fosse bagagem (coitadinho!). Quando cheguei em Amsterdã, os olhos dele estavam um pouco raros, ele passou os dois primeiros dias meio estranho mas depois se adaptou perfeitamente!

    Ainda que para cada pessoa o processo de imigração seja diferente, posso imaginar um pouquinho do que você está passando agora. Te desejo boa viagem e sucesso!

    abraços,

  1. 05 - 03 - 2008 às 2:09 pm
  2. 04 - 05 - 2009 às 7:43 pm
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