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A técnica de dizer ‘não’

05 - 07 - 2007

Situação Um
Uma mulher quer aprender português. Toda empolgada, ela liga para a professora e pede para marcar um encontro. A professora explica que o português que ela ensina é do Brasil e que, embora seja o mesmo idioma, tem dúvidas se é a pessoa certa para lecionar para alguém que tem planos de morar em Portugal. Mas a aspirante a aluna, entusiasmadíssima e parecendo conhecer a professora há anos, diz que não tem importância, que quer começar a ter aulas com aquela professora o mais rápido possível.

Situação Dois
Dias antes da data combinada, uma mulher ríspida, com a mesma voz e nome daquela quase íntima, liga novamente para a professora. Com uma frieza irreconhecível diz que vai procurar uma professora que ensine português de Portugal. A professora, que tenta entender o ocorrido, agradece a ligação para desmarcar o encontro.

Situação Três
Na aula de holandês, a professora de português ouve da professora dela que nos Países Baixos, primeiro se dá a notícia ruim, depois expressa os sentimentos e, finalmente, utiliza-se de um clichê para dizer que tudo vai ficar bem.

Um médico dando uma notícia ruim, por exemplo: “Sua mãe morreu. Me desculpa por dar essa notícia. Mas você sabe, todo mundo um dia parte dessa para uma melhor, talvez isso era o melhor para ela… você e sua família vão ficar bem, blá blá blá blá”.

Técnica
Aproveitando a deixa, a professora de português narra as situações Um e Dois para a professora de holandês e pede a opinião dela. Com um sorriso envergonhado, ela diz que a aspirante a aluna recorreu a uma das fórmulas conhecidas.

“As holandesas têm muita dificuldade em dizer não. Uma das técnicas é distanciar-se da pessoa que vai receber uma resposta negativa. Existem diversos cursos nos Países Baixos para ensinar mulheres a dizer não”, explica a professora de holandês que já freqüentou um workshop desses…

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  1. Tatiana
    08 - 07 - 2007 às 10:04 pm

    Eu acho que a gente no Brasil, faz ao contrário pra dar notícia ruim: primeiro ameniza e depois conta que a mãe morreu…

  2. 17 - 07 - 2007 às 9:03 pm

    haha! que olhar socio-antropológico mais acurado, hein!!! bravo!!

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