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Para quê serve a idade?

07 - 10 - 2007

Fatima abriu a porta de sua casa com um sorriso no rosto, como se já nos conhecesse a anos, embora tenhamos acabado de nos apresentar. Guardou nossas jaquetas, pediu para que tirássemos os sapatos e nos encaminhou para a sala de estar.

O iftar
Dentro de instantes, seria servido o iftar, o jantar diário após um dia de jejum para os muçulmanos durante o período do ramadã.

Esbanjando jovialidade, sem véu na cabeça e um holandês perfeito, Fatima disse que estavam terminando de preparar a refeição. Na cozinha, outras duas mulheres e o marido dela a ajudavam. O filho do casal estava no quarto, ocupado com o video game.

A mesinha de centro foi se enchendo de quitutes. A dona da casa, filha de marroquinos e nascida na Holanda, explicou-nos do que era feito e como se chamava cada um deles, bem como a ordem que costumam comer: “quebramos o jejum com uma tâmara. Em seguida, bebemos um suco e depois tomamos a harira, típica sopa marroquina, acompanhada dos mais diversos petiscos, doces ou salgados”.

A avó
Tivemos a presença especial da avó de Fatima que, pela primeira vez, veio passar férias e visitar a filha que mora há 36 anos na Holanda. A mulher, de aparência serena, preparou os doces mais especiais do iftar.

Quando um dos convidados perguntou, ela confirmou que era uma pessoa muito paciente. Acredito. Afinal, ela parecia não se incomodar com o fato de a maioria das conversas serem em holandês e que, com exceção dos marroquinos ali presentes, nenhum dos convidados falava árabe ou berber.

Entre uma comidinha e outra, falamos sobre religiões, o ramadã, o calendário árabe, o Marrocos. A vózinha nos ensinou (o que não significa que aprendemos) algumas palavras simples em árabe.

Uma das convidadas perguntou a idade dela. Ela não sabia. Fatima explicou que na documentação da avó, preparada antes da viagem, estimou-se que ela tenha nascido nos anos 1940. Ao certo, ninguém sabia e que no passaporte de muitos conhecidos, a data de nascimento constava como XX-XX-XXXX.

E para quê mesmo serve contar os anos que vivemos?
Porquê precisamos saber em qual ano nascemos?

Duas introduções e uma nota de rodapé
Bom, talvez antes de dizer que fui a um iftar, tinha de dizer que o islamismo aparece com freqüência na mídia holandesa. Talvez eu tinha de dizer que na Holanda existam muitos imigrantes vindos de países islâmicos e que a maioria deles venha da Turquia ou do Marrocos.

Bem, talvez eu não tinha de explicar nada e simplesmente dizer que, por pura curiosidade e vontade de conhecer outras culturas, entrei no website do Ramadan festival e me inscrevi para participar de um iftar na casa de uma família que o celebra e que, cheia de hospitalidade muçulmana, abre a porta para não islâmicos.

Fatima é o nome dado às mulheres no Marrocos quando não se sabe o nome real. Nesse caso, usei o nome da filha do profeta para dar anonimidade à anfitriã.

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