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toc, toc, toc, vai demorar por aí?

27 - 02 - 2008

Em muitas casas holandesas, o vaso sanitário dá para a porta. Afixado nesta, está o calendário de aniversários, com o nome das pessoas especiais, escrito no dia em que completam anos. Já vi versões em que o zelo é tanto que até mesmo o ano de nascimento do ente querido vai em seguida do nome.

Além do calendário para se lembrar dos queridos, há paredes de banheiro forradas com os mais diversos materiais, desde pôsters e cartões postais até fotos polaróides, daquelas tiradas pelos fotógrafos de plantão nos bares e restaurantes mundo afora.

A toalete de C
O que mais freqüento é a toalete de C. O espaço é decorado com pequenos artigos, colunas, charges e quadrinhos de jornais. Olívia e Brutus estão, por exemplo, grudados na parede, em cima do vaso sanitário. Na ilustração, Olívia beija Brutus agradecidamente, com a caixa de presente recém-aberta, deixando ver o par de seios gigantes com os quais o parceiro/inimigo de Poppeye, com o rosto avermelhado, acaba de lhe entregar.

No porta papel-higiênico encontra-se plastificada uma tirinha, que explica que há gatos para todos os tipos de pessoas. O rabo em forma de alça: gato para retirantes, gato com duas cabeças: para aqueles que não têm em casa a caixinha para as necessidades do gato e assim por diante. Aliás, há bichanos em outras tiras ou ilustrações espalhadas pelo pequeno cômodo de C.

O hino nacional holandês (em papel laraja) está pregado na porta, logo abaixo do calendário de aniversários. E acima deste, um mapa-múndi indicando os recursos naturais de cada região.

Vai demorar?
É impossível sair rapidinho do banheiro de C. Ainda mais quando se lê, ao lado da pia, uma frase de um escritor inglês de alguns séculos atrás que diz que “todos nascemos originais, mas a maioria de nós morre como cópia”.

“Dont marry, be happy” é a legenda da foto de um casal dos anos 1950 que está na parede à direita: ela, com uma cara emburrada e o tricô na mão; ele, lendo jornal e ouvindo rádio, na poltrona mais confortável. Mais acima, uma charge na qual uma mulher segura um livro, lágrimas escorrem pelo seu rosto e um homem com olhar satírico lhe pergunta: “belo livro, não?”

Revista de passatempos
Ainda não descrevi por aqui nem metade do que já li por ali. Nem todas as imagens e textos fazem o meu estilo, mas C é totalmente conseqüente com a ‘linha editorial’ daquele pequeno espaço de sua casa. É uma maneira artesanal de montar uma revista de passatempos.

Percebi também que sempre é possível encontrar uma história nova publicada por ali. E se ainda assim o visitante não se der por satifeito ou se precisar ficar ali por mais tempo por conta das necessidades fisiológicas, há sempre à mão – e do lado esquerdo do trono – uma pilha de revistas.

Outros detalhes higiênicos:
– Nem sempre o chuveiro está no mesmo cômodo que o vaso sanitário. Em muitas casas eles estão separados, têm portas próprias e/ou estão em andares diferentes.
– Como em outros países, joga-se o papel higiênico utilizado dentro do vaso sanitário. O lixinho ao lado serve para absorventes e outros que não são absorvidos quando se puxa a descarga.
– Em muitas casas, o interruptor para acender a luz da toalete está do lado de fora. Em outros, é uma cordinha.
– A maioria dos banheiros não tem ralo. Ou seja, a limpeza é geralmente feita com um pano molhado.

Leia também:
Morar em Amsterdã é…
Etiqueta sanitária
Sem ralo

ps: Bailandesa, fico te devendo a foto… mas a história está aí!

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  1. 27 - 02 - 2008 às 4:42 pm

    Nossa, isso eleva ao um nível alto de cultura urbana adquirida a cada ida ao banheiro. Eu tenho planos de fazer uma estante para livros no banheiro, adoro ler enquanto vou lá. Mas se fosse na Holanda não seria necessário, iria me perder olhando as paredes!

  2. 28 - 02 - 2008 às 4:42 am

    Dani, em primeiro lugar, fantástico o post. Cara! Nem imagino que banheiro seria esse. Não consigo me situar num lugar assim. Quando eu tiver um apê *MEU*, vou querer fazer algo do tipo (não igual, claro, mas temático, com certeza)…

    Quanto ao teu comentário, o aníver é 16/2, mas eu não ligo com a data, de verdade. É só mais um dia. Eu nunca lembro dos anívers dos amigos… (o seu eu não sei, por exemplo) então não posso “exigir” nada né? 😀

    E não acredito muito nisso de “pessoa certa”, destino, isso tudo. Mas eu acho que existem “pessoas certas”, com quem nos damos bem e que podem ajudar na nossa caminhada… isso pode ser amizade ou algo diferente de amizade e a minha dúvida é se, no presente caso, eu deveria tentar “transformar” esse carinho, por assim dizer.

    Mas caramba, isso tá quase virando um post…

    :***

  3. 01 - 03 - 2008 às 5:24 pm

    Poxa, fiquei curiosa. E coincidência! O meu também tem calendário e fotos por todas as paredes 🙂 O difícil é a escolha de fotos.

    Quanto ao calendário, ouvi que rola uma história de ciúme. Então é bom não esquecer ninguém.

  4. 03 - 03 - 2008 às 2:19 pm

    hehe… aprendi mesmo na holanda a pôr o calendário de anívers na parede à direita do vaso… em brasília tbém tenho! e do lado esquerdo, obrigatoriamente a cesta yanomami cheia de leituras, pois há gente das mais variadas idades que se ilustra – incluindo o de 3 anos que exige seus gibis para a hora do trono!

  1. 10 - 08 - 2008 às 9:11 pm
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