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Na praia, no bosque, na fazenda

25 - 05 - 2008

O festival de verão que mais freqüento é o Oerol. Durante 10 dias, as praias, dunas, bosques, diques, fazendas, campings, pontos de ônibus, povoados e outras locações de uma pacata ilha no norte da Holanda transformam-se em palco para diferentes tipos de manifestações artísticas.

Terschelling tem cinco mil habitantes. Para o festival, a ilha recebe outras 20 mil pessoas que têm boa reputação junto aos moradores. Os nativos dizem que o público do Oerol respeita a natureza, é prestativo e não promove atos de vandalismo.


Sou suspeita para falar da ilha, já que a visito com assiduidade. Na minha opinião, no entanto, esse festival torna o local ainda mais mágico.

Em uma das atrações, o público ganhou um adesivo na roupa e um iPod com uma gravação de 45 minutos. A proposta era ouvir uma viagem de reprogramação da mente e andar em torno de um lago.

Ainda que não tenha me agradado por completo, caminhar vagarosamente, recebendo comandos de olhar ao redor e para as pessoas que fazem parte do público proporcionam um outro olhar àquilo que já se conhece.

Em câmera apressada
Um espetáculo que assisti e que gostei muito foi Hemelhuis (casa do céu) do Het 5ekwartier. A apresentação aconteceu numa propriedade rural, com vaquinhas e ovelhinhas. O celeiro foi transformado em sala de projeção, com três telas, três computadores, bancos de madeira para o público sentar-se e músicos a postos.

Naquele palco improvisado, com cheiro de animais sem o conforto de uma sala de espetáculos mas, sem dúvida, bastante acolhedor, foram mostradas imagens gravadas partir do Brandaris, o farol da ilha. Três câmeras colocadas nas janelas no topo do farol registraram o que acontecia nos arredores durante 24 horas.

A claridade do sol e da lua, as nuvens se locomovendo no céu, os barcos chegando e partindo do porto, a maré alta e a maré baixa, as luzes dos barcos, o movimento do dia, a tranqüilidade da noite.

Porém em alta velocidade: as 24 horas transformaram-se em 24 minutos; um dia comum na ilha em fast foward, acompanhado por música ao vivo.

Algumas curiosidades:
– Nota-se que a ilha está cheia pela quantidade de bicicletas nas ciclovias. Muitos trazem a bici de casa, outros alugam uma na ilha. Entre um espetáculo e outro, a magrela é o melhor meio de transporte.

– Nos 30 quilômetros de ilha pouco se nota que a ilha está lotada. Não raro, é possível caminhar longas distâncias em um bosque ou praia sem encontrar viv’alma.

– O festival tem seu próprio veículo de comunicação. Diariamente o jornal do Oerol, distribuído ao público gratuitamente, traz as modificações na programação, resenhas de espetáculos e outros assuntos relacionados ao festival e à ilha. Este ano, o Oerol também pode ser acompanhado via rádio e televisão.

– Tenho a impressão que grande parte do público é fã do festival, a ponto de ir anualmente. Observo que muitos deles vestem camisetas de festivais passados.

– Um dos assuntos favoritos entre as pessoas que aguardam um espetáculo começar é o festival: o público compartilha opiniões sobre o que já viram, o que vão ver, a diferença da edição atual com as edições anteriores e, claro, comentam sobre a maravilhosa paisagem.

– O dinheiro arrecadado com a venda do “passaporte” do festival, necessário para comprar os ingressos e que dá direito a assistir espetáculos no terreno central do Oerol, financia apresentações gratuitas como teatro de rua e atrações musicais.

– As ruas centrais dos povoados de West e Midsland transformam-se em palco para a maioria das apresentações gratuitas.

– A Groene Strand (praia verde) ao lado esquerdo do porto, é uma das locações para shows gratuitos. O local fica em frente ao mar e o chão é coberto por grama. Costuma ser um dos lugares mais freqüentados, difícil encontrar um pedacinho de grama para sentar, mas não há atropelos, uns respeitando o espaço dos outros.

– Cafés, museus e outras atrações permanentes também mostram espetáculos ou festas especiais, com o tema do festival.

A ilha do dia anterior, com base no romance de mesmo nome do escritor italiano Umberto Eco é o tema do Oerol deste ano.

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  1. sara
    03 - 06 - 2008 às 12:03 am

    Oi Daniela!

    Também és fã de Oerol?

    Estive lá no ano passado pela primeiro vez e achei tudo maravilhoso! Senti isso mesmo que descreves aqui: muitas pessoas, de muitas gerações (os jovens em maioria, mas nem por isso esmagadora), com um ar feliz por estar ali!

    A ilha é mesmo um espanto! Fiquei com vontade de voltar! O único problema são as picadas dos mosquitos, que feras!

    Este ano não devo ir, mas com pena minha…

    Se fores, bebe uma grolsh por mim!

    PS: sabias que existe lá um restaurante português? Não cheguei a comer lá, mas achei divertidíssima a ideia de ter patrícios tão longe!

    Um beijo

    Sara

  2. Bart
    15 - 06 - 2009 às 9:55 pm

    Ou numa casinha de sapê..

  1. 17 - 06 - 2008 às 8:00 pm
  2. 18 - 06 - 2008 às 3:46 pm
  3. 19 - 06 - 2008 às 5:09 pm
  4. 23 - 06 - 2008 às 11:07 pm
  5. 02 - 07 - 2008 às 11:35 pm
  6. 05 - 07 - 2008 às 11:18 pm
  7. 20 - 07 - 2008 às 10:45 pm
  8. 15 - 06 - 2009 às 2:23 pm
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