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O Jardim da Paz

23 - 01 - 2011

Numa bela tarde de verão, pedalava tranquilamente pela ilha de Schiermonnikoog e explorava ciclovias que não conhecia.

Já estava bem afastada da vila quando algo me chamou a atenção.À esqueda da ciclovia que pedalava li a palavra Vredenhof numa placa. “Vrede – paz, Hof – jardim”, traduzi mentalmente.

E imaginei um jardim gramado. Também ouvi o barulho de uma pequena queda d’água, um laguinho, uma imagem de Buda ou Shiva, um poster de Gandhi. Em uma área mais afastada, em baixo de algumas árvores, imaginei pessoas praticando tai-chi-chuan ou yoga e vi ainda banquinhos para aqueles que quisessem contemplar a paisagem ou meditar.

Com todos esses clichês na minha cabeça decidi virar à esquerda e ver onde a estradinha de cascalhos ia me levar. E era realmente um lugar silencioso, não exatamente como eu imaginava…

O cemitério foi originalmente construído para ser a última morada daqueles que o mar tirava-lhes a vida e o corpo ia dar na praia da ilha. Depois da Segunda Guerra Mundial tornou-se um monumento de guerra. Lá também foram enterrados diversos soldados alemães, canadenses, ingleses e franceses.

Nas palavras de Ana Davosic “a força do atual Vredenhof está no caráter uniforme. O lugar onde todos os soldados se deitam foi transformado em um cemitério igualitário, sendo que cada túmulo é igualmente emoldurado com pedras, uma camada de conchas e uma lápide de mármore. Eles dividem o mesmo pedaço de chão, indiferente de suas nacionalidades, religiões ou patente. Francês, canadês, alemão, judeu e inglês deitam-se lado a lado. Em nenhum outro lugar do mundo há um cemitério desses”.

O Vredenhof foi tema do projeto de conclusão de curso de Ana Davosic. Ela se formou em fotografia na Academia de Arte de Utrecht em 2010.

Para saber mais:
Schierweb (em holandês)

Leia também:
O poeta dos mortos

  1. Juliette
    24 - 01 - 2011 às 4:34 pm

    Oiii Daniela (batateira).

    Que bom que voce esta de volta!!!! A ultima vez que te vi foi no Consulado no dia da eleicao. Bom saber que vai ter coisa boa para ler.

    beijo
    Juliette

    • 25 - 01 - 2011 às 9:09 am

      Oi Juliette, muito meigo da sua parte deixar um recadinho por aqui! Obrigada pela força… estou voltando!!! beijo,

  2. paolafranco
    16 - 02 - 2011 às 1:49 am

    Lá em Goiânia tem um cemitério com o mesmo nome. Engraçado como as pessoas em diferentes línguas e países pensam parecido quando dão nome às coisas.

    • 20 - 02 - 2011 às 11:30 pm

      E nao apenas quando dão nome as coisas, imagino eu… somos mais semelhante do que imaginamos em muitos aspectos…

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