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Hospitalidade interiorana

08 - 07 - 2011

Quando? Manhã de sábado chuvosa.
Plano? ir ao Boerol, um festival de teatro, música, poesia etc que acontece numa fazenda próxima a cidade de Delft.
Como? De OV-fiets a partir da estação de trem de Delft.
Com quem? J. amiga que vive em Colônia e passa a semana em Amsterdã, mas gosta muito de passar um dia no meio da natureza.

Uma das atrações do Boerol



Pedalando
J. segurava o guarda-chuva numa mão e com a outra manejava o guidão. Eu vestia capa e calça de chuva, uma mão no guidão e a outra na rota, confiando plenamente na minha capacidade de seguir os conselhos do google.maps.

Após uns dez minutos pedalando, percebo que estamos em uma estradinha provincial onde só passam carros. Ela não está no A4 que havia impresso que já começava a perder a forma por causa da chuva. Olho para a esquerda e avisto a ciclovia, ao lado da pista de carros que vão no sentido inverso. Mas não tem como atravessarmos: há um canal entre uma pista e outra. Continuamos pedalando até chegarmos a uma ponte.

Do outro lado da ponte, encontramos um senhor que não se importava com a chuva fina e fazia uma caminhada. Mostrei para ele meu mapa ensopado. Ele disse que estávamos na direção errada. Nos explicou como encontrar a vila onde o festival acontece (mas ele nunca havia ouvido falar de Boerol).


Pássaros, cavalos e vaquinhas

Agradecemos gentilmente e começamos a pedalar na direção que ele havia nos orientado. J. desconfiou. No entanto, não havia mais ninguém para perguntar. Paramos em frente a uma plaquinha com uma seta que indicava que ali se fazia observação de pássaros. Quem sabe não há alguém por lá que possa nos ajudar?

Após pedalarmos por uma emburacada ruela coberta de pedregulhos chegamos a uma fazenda. Estacionamos as bicis e saímos em busca de algum ser humano. A nossa frente havia uma área coberta, embaixo dela uma mesa longa e algumas cadeiras. Caminhamos nessa direção.

Do lado direito, dentro da casa, vimos um homem jovem com um bebê no colo. Ele também nos viu, mas permaneceu sentado na poltrona próxima à janela. Do lado esquerdo havia uma espécie de celeiro repleta de mesas e cadeiras. “Quem sabe não é um simples restaurante onde podemos tomar um café para nos aquecer?”, desejei em voz alta.

Um senhor alto e de cabelos grisalhos, vestindo um macacão azul marinho e botas de borracha saiu de dentro da casa, arregalou os olhinhos azul-oceano e nos cumprimentou. Explicamos que estávamos perdidas. Ele conhecia o festival e nos explicou como chegar lá – sim, o caminhante entusiasta estava certo.

Cafezinho
– “E o senhor também tem um mini-restaurante aqui para que nós possamos tomar um café?”, perguntou J.
– “Não exatamente, mas é possível providenciar o café”.

O simpático camponês pediu licença por um minuto. Entrou em casa. E, em seguida, trouxe a boa-notícia: “minha esposa vai preparar um café para vocês”.

A chuva continuava. Conversamos bastante com ele, nos contou mais sobre seus cavalos e de sua pequena empresa de laticínios. “Vivemos das vaquinhas. Vou vê-las”. Foi.

Minutos mais tarde, aparece a esposa do camponês. Recordo apenas que a senhora era um pouco mais baixa do que ele e tinha cabelos curtos. Estava olhando mais para o que ela carregava nas mãos: uma bandeja com uma cafeteira de vidro, xícaras e quatro pedaços de bolo. Nos conduziu até o celeiro e nos fez companhia.

A camponesa demonstrou bastante interesse pelas forasteiras e mostrou-se bastante desenvolta ao abordar temas culturais, da política nacional holandesa e da vida de imigrante. Para o Boerol ela não tinha tempo.

Ao terminarmos, J. queria pagar. A mulher não aceitou. Disse ser uma gentileza da casa e que caso nos perdêssemos outra vez poderíamos passar por lá para tomar outro café para aquecer.

Nos despedimos, montamos em nossas bicis e pedalamos rumo ao Boerol… embora ainda chovesse.

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