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Posts Tagged ‘alimentação’

O indiano da Damrak

Como a maior parte dos turistas, ando na Damrak como se procurasse algo. Procuro o Gandhi.

A Damrak é uma das ruas mais movimentadas de Amsterdã. Liga a estação central de trem à praça Dam. Motivo pelo qual a larga calçada está sempre cheia de gente, cheiros e ruídos. Damrak é repleta de restaurantes e lojas de souvenirs. O museu do sexo também fica nesse calçadão.

“Saindo da estação central, será o primeiro indiano que verás na Damrak”, facilitou S. No entanto, poucos são os indícios de que ali há um restaurante de qualidade. Logo na entrada do corredor há muitas fotos de homens numa sauna.

Mas no fundo há duas portas: a da esquerda dá para a sauna e a da direita para o restaurante. Atrás da porta de vidro, à direita, vejo uma mulher com trajes típicos indianos. Somente quando abro a porta e sorrio de volta para ela é que percebo que a indiana é de papelão. Em seguida um homem com roupas ocidentais me saúda com um ‘welcome’. Ele tem sotaque indiano.

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De onde elas vêm, pra onde vão?

Elas estão por todos os lados nesta época do ano. A tradição ‘manda’ comer oliebol na virada de ano. E os oliebollen podem ser comprados nos supermercados, padarias e, claro, nas oliebollenkraampjes, espalhadas por todos os lados. Os trailers que vendem o oleoso bolinho estão em cada esquina.

As chamadas oliebollenkraampjes surgem a partir de outubro, ficam nas ruas até o final de dezembro e depois desaparecem. Para onde elas vão?

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Pedacinhos de coco

kokosMe lembro de que quando era criança minha mãe comprava o coco inteiro. Ela tinha o trabalho de furá-lo, tirar a água de coco, parti-lo no meio e finalmente tirávamos os pedacinhos de coco com uma colher.

Não é todo dia, mas de vez em quando encontro os pedacinhos de coco prontinho para o consumo no supermercado mais próximo de casa. E não os deixo na prateleira: entra na minha cestinha de compras e quando chego em casa os devoro enquanto preparo o jantar.

A última vez que me deparei com eles no supermercado estava em busca de guloseimas para levar para o trabalho. Uma vez por semana encho o baleiro da redação com dropjes. “E porque não levar algo saudável para compartilhar com os colegas?” pensei.

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Sabor do inverno 3: stamppot

Eduard comemorou seu aniversário cozinhando para os amigos. Entre os convidados estava o pai dele que, durante o jantar, sentou ao lado da única estrangeira na mesa.

“Este é o stamppot boerenkool, ou seja, um purê de batatas espremido com o boerenkool” (uma espécie de repolho), explicou-me o pai do cozinheiro. Em seguida mostrou-me as lingüiças e disse ser o acompanhamento típico. Mostarda, pedacinhos de bacon frito, pepinos e cebolinhas em conserva também estavam à disposição dos convidados.

02-boerenkool_420x316Em uma das tigelas estava o jus, ou seja, o molho à base de manteiga que completa a refeição e é disposto da seguinte maneira no prato:

“Holandeses constróem diques em todos os lugares, inclusive na hora de comer. Este é o motivo pelo qual fazemos uma montanhinha com o purê de batatas, cavamos um buraco no centro e lá despejamos o molho”, finalizou o pai de Eduard, enquanto enchia com o molho o diquezinho que havia construído.

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Sabor do inverno 2: oliebollen

De longe sente-se o cheiro da massa adocicada e frita no ar. Na pracinha, entre a Bijenkorf e a Beurs van Berlage, em Amsterdã, há um trailler que vende oliebollen, ou seja, bolinhos fritos degustados nessa época do ano nos Países Baixos. Na vitrine diversos tipos massas fritas: redondas, triangulares, recheadas com maçã, uvas passas e outras.

oliebollenO namorado perguntou se eu gostaria de experimentar. “Claro!”, respondi. Dois oliebollen foram colocados em uma embalagem de papel.

Ventava, fazia bastante frio e decidimos que o melhor seria caminhar comendo. O que eu não sabia era que os “oliebollen” estavam pulverizados com açúcar de confeiteiro. Com muito açúcar de confeiteiro. Na hora que tirei o bolinho da embalagem meu casaco e rosto encheram-se do pozinho doce. Tudo ficou branco, como neve…

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Sabor do inverno: poffertjes

Era uma tarde de domingo. Não havia viv’alma nas ruelas de Marken, vilarejo próximo de Amsterdã. As cortinas da maioria das casinhas de madeira – pintadas de verde ou preto – estavam abertas. No entanto, não se via ninguém do lado de dentro. Do lado de fora, apenas alguns gatos circulavam entre os duendes dos jardins.

Casacos, luvas e gorros protegiam a maior parte de nossos corpos, mas nossos rostos estavam vermelhos e gelados. Subimos uma pequena rampa e nos deparamos com o fim da vila. Ao menos para pedestres. Avistamos a marina e o mar. Andamos na rua da orla, apreciando as casinhas e os barcos e, ao mesmo tempo, procurando algum lugar para nos abrigar do frio.

Entramos na última casa à direita. O interior é meio bege-amarelo-alaranjado. As mesas estavam forradas com toalhas brancas. Duvidamos que o restaurante estivesse aberto. De dentro do estabelecimento um senhor de bigodes nos saudou, com um gesto de cabeça. Em seguida, apontou para uma (de todas as) mesa desocupada. Caminhou conosco e nos mostrou o cardápio.

poffertjes-grootFui apresentada às poffertjes, uma espécie de mini-panqueca. Sempre servidas em porção, acompanhadas de manteiga e polvilhadas com açúcar de confeiteiro, na versão mais simples.

Fizemos o pedido e aguardamos. Elas vieram logo em seguida. Como se fosse um ritual de agradecimento por estarmos protegidos do vento, saboreamos poffertje por poffertje, silenciosamente.

O Marrocos fica ali na esquina

A padaria marroquina é a que prepara o melhor croissant da vizinhança, na opinião do namorado. Ela fica bem próxima da nossa casa. Basta ir até o final da rua, virar à esquerda, atravessar uma rua e na esquina está a Al Maghrib, cuja vitrine é decorada com letras do alfabeto árabe em vermelho.

Neste sábado, vi não apenas a caligrafia árabe mas vi que o estabelecimento estava completamente cheio. Homens, mulheres e crianças. “Será que espero esvaziar do lado de fora ou entro?”, me perguntei. Entrei.

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A ervinha salgada

O dia estava nublado. Céu cinza, embora a temperatura estivesse amena. Decidimos fazer uma caminhada pelo Boschplaat, a reserva natural que fica no oeste da ilha de Terschelling.

Caminhamos próximo ao dique no mar de Wadden, sob uma área chamada de kwelder, ou seja, onde a argila do mar vai se transformando e permite, ao longo dos anos, o estabelecimento de vegetações.

Uma plantinha chamou a minha atenção. Percebendo o interesse, o namorado explicou que a Zeekraal (ou seja a salicórnia) é comestível. Aguçou a curiosidade culinária!

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Confiança no consumidor

Morangos, batatas, ovos, abobrinha e outros alimentos podem ser comprados diretamente do produtor no norte da província de Noord Holland. Em frente as casas, há plaquinhas que indicam o nome dos produtos que oferecem, bem como o preço.

A mesma caixinha de morangos, que custa €2,75 no mercado, em Wognum, custa €1,30 na porta do agricultor, que fica há cerca de três quilômetros de distância. O surpreendente, no entanto, é a maneira como o morango é comercializado.

Em frente à casa do produtor, as caixinhas de morango ficam dentro de uma espécie de gôndola de supermercado improvisada.

Não há ninguém vendendo ou observando. Nem é preciso esperar o proprietário da casa aparecer: basta pegar os morangos e depositar o dinheiro na caixa de correio da casa!

Ovos são comercializados da mesma maneira (foto). Dentro do armário encontram-se três tipos de ovos, com preços que variam entre €1,50 e €2,00. Escolhe-se o produto e coloca-se o dinheiro na caixa de correio do granjeiro.

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Nee/Nee Sticker

As uvas-do-monte de Terschelling

Terschelling é também sinônimo de cranberries (uvas-do-monte). Uma das empresas que as cultivam garante que esta ilha, localizada na província de Friesland, é o único lugar do mundo em que as frutinhas podem ser encontradas na versão orgânica.

Diz a ‘lenda’ que, por volta de 1839, diversos barris com bagas vermelhas foram encontrados na praia de Terschelling. Os jutters (colecionadores de objetos naufragados) se dirigiram rapidamente ao local, pensando que haviam encontrado um estoque de vinho. Decepcionados, deixaram as frutas nas dunas, que acabaram se adaptando e brotando no solo da ilha.
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