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OBA! Livros em português

Morar em uma cidade cosmopolita e multicultural como Amsterdã, com 176 nacionalidades diferentes, tem muitas vantagens.

É o caso livros no idioma original. Na Biblioteca Pública de Amsterdã pode-se encontrar literatura inglesa, espanhola, francesa, italiana, turca, árabe, persa e outras no original. E, é claro, em português. Literatura de Portugal, do Brasil, Moçambique, Cabo Verde e outros países luso-africanos.

Alguns autores de língua portuguesa que podem ser encontrados na Biblioteca Pública de Amsterdã (OBA): Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Dalton Trevisan, Euclides da Cunha, Eça de Queiróz, Erico Veríssimo, Jorge Amado, José de Alencar, José Saramago, Machado de Assis, Rubem Fonseca. Vários deles também foram traduzidos para o holandês.

Ah, sim! A OBA também tem uma seção multimídia, com um enorme acervo de CDs, DVDs, CD-roms etc para alugar, além de 3500 livros digitais e mais de 100 mil músicas à disposição para download.

A anuidade da biblioteca é gratuita para quem tem menos de 19 anos, e, no máximo 23,50 euros, se você tem entre 23 e 64 anos.

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Açaí na Holanda

“Qual é a coisa que você mais sente falta?” Muitos holandeses e holandesas me fazem essa pergunta. Aqueles que nunca estiveram no país tropical do outro lado do oceano e no hemisfério sul tentam entender porque tenho tantas saudades de sucos de frutas naturais.

No Brasil, eles são frescos, preparados na hora, na maioria das vezes com a fruta em espécie. Nos Países Baixos, no entanto, nem a laranja é espremida na hora. O “fresco” é, muitas vezes, feito pela manhã e servido às seis da tarde! Como diria minha mãe, as vitaminas já foram embora!

Uma esperança
Ontem, no entanto, estava no The Hague Jazz Festival e um ex-aluno de português – que no ano passado foi ao Brasil e também sente falta dos sucos – , me disse que em uma das salas era possível comprar suco de açaí.

E não apenas de Açaí! Caju, cajá, acerola, manga, maracujá, entre outros! Me deliciei com um suco de pitanga!

Pelo que entendi, a açaí é uma empreitada de um holandês que, no ano passado, viajou para o Brasil com a namorada e decidiu trazer as polpas de fruta para vender por aqui. Por enquanto, a empresa possui bares móveis que vão a festivais e outros eventos.

Torço para que a iniciativa dê certo e para que os sucos estejam disponíveis em todos os bares e restaurantes holandeses.

O dia em que imigrei

Há três anos vivo na Holanda. O mais incrível é que não consigo lembrar-me exatamente em que dia cheguei aqui. Procurei no diário daquela época. No dia dois de maio de dois mil e quatro escrevi que naquela noite eu viajaria e veria meu amado novamente. E também que seria a última noite dormindo na casa dos meus pais antes de me mudar. Sei que viajei durante a noite, mas será que a emoção não me permitiu ser clara? Cadê minha objetividade obsessiva?

Snarf baqueadoA próxima historinha no meu diário data de seis de maio. Mais uma vez, sem nenhuma pista concreta da data precisa que desembarquei no Schiphol. Não sei ao certo a quais datas me refiro quando escrevi que Snarf (foto ao lado) sofreu, por dois dias, o efeito das gotinhas de tranqüilizante para que ele relaxasse por algumas das pelo menos doze horas de viagem e check in/out.

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Solidário e 100% brasileiro!

Desde que fiz trabalho voluntário na Solidaridad, percebi que era possível sair do discurso do boicote às empresas transnacionais e colocar em prática o consumo responsável.

Decidi procurar por um tênis na Nukuhiva, uma fashion wear de Amsterdã que só oferece produtos fair trade .

vejatenisOlhei na vitrine, vi um modelo que me agradou e pedi para experimentar. Antes de calçar, no entanto, olhei para a parte de dentro do tênis e não contive minhas emoções ao descobrir de onde ele vem.

O veja que é feito no Brasil pode ser encontrado em seis lojas na Holanda (três das quais em Amsterdã) e em outros países da Europa, América do Norte, Ásia e Oceania. Curioso que não esteja disponível no mercado brasileiro.

O comércio ético e solidário é conhecido pelos holandeses desde a década de 1970. De lá para cá aumentou o número de produtos e lojas e supermercados que oferecem tais produtos, que vão desde frutas tropicais a artigos de moda.

E no Brasil, como anda a economia solidária? Não sei responder. Talvez você saiba e possa partilhar por aqui seus conhecimentos. Aos interessados, duas pistas:
*Faces do Brasil
*Ética Brasil

Rio de Janeiro na Bijenkorf

De 18 de abril a 6 de maio, a Bijenkorf A loja de departamentos holandesa – traz um pedacinho do Rio de Janeiro para os Países Baixos. No fim do ano passado, eles estiveram por lá e desembarcaram por aqui com música, cultura e produtos brasileiros.

Em 123 páginas, a loja apresenta ao público holandês a moda e as tendências cariocas. Tirando algumas pequenas gafes da língua portuguesa (e atire a primeira pedra quem nunca escreveu errado), é engraçado folhear a revista.

País tipo exportação

Sabia que o Brasil tinha boa fama internacional, mas nunca podia imaginar que seria tão fácil encontrar conexões aqui na Holanda.

A maior parte dos holandeses e holandesas que tive contato até agora conhecem alguém das terras baixas que mora no Brasil ou brasileiras que vivem na Holanda – pelo que pude perceber, o número de mulheres é bem maior do que o de homens brasucas que se aventuram por estas terras. E temos a fama de “trabalhar direitinho e honestamente”. Ao menos é o que os nossos compatriotas refugiados econômicos ouvem dos patrões. Para a maioria de nós, no entanto, resta apenas trabalhar como faxineiras ou pedreiros.

É muito fácil encontrar café brasileiro no cardápio dos bares e restaurantes. Normalmente, o pretinho brasileiro é mais caro do que o expresso e figura entre os cafés especiais que o estabelecimento oferece. Um pouco mais raro, mas possível, é encontrar caipirinha. Não estou me referindo aos bares ou restaurantes verde-amarelo. Em Amsterdam tem pelo menos uns quatro bares, dois restaurantes e um catering brasileiro!

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Sinais de fumaça

Quando morava no Brasil, nunca tive a oportunidade (ou a curiosidade) de me aprofundar na cultura dos povos indígenas que vivem e viviam no Brasil muito antes de os portugueses, espanhóis, holandeses ou ingleses invadirem o continente.

rooksignalen.jpegIronicamente, acabei de ler meu primeiro livro em holandês. Ineke Holtwijk, uma jornalista que foi correspondente na América Latina para o Volkskrant (o jornal do povo, de Amsterdã) por cerca de 15 anos, tendo como base a cidade do Rio de Janeiro, é a autora de Rooksignalen (sinais de fumaça).

Ineke inicia o livro-reportagem de maneira despretensiosa. Ela conta que viu uma fotografia do primeiro contato com um indígena em O Estado de São Paulo.

Por intermédio de um conhecido, Ineke entra em contato com um sertanista da Funai e junto com ele viaja de Vilhena (Rondônia) para algumas reservas indígenas do Estado. Lá vivem dois povos recém contatados: um pequeno grupo de Kanoê e outro de Akuntsu.

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